Alemanha

O que saber antes de visitar Berlim

O importante e primordial, em Berlim, é ser diferente, ousado, à frente do tempo, chocante, fora da caixa. Difícil achar um berlinense jovem “padrão”. Padrão no sentido estético, por assim dizer. Melhor ainda: o padrão deles é aquele sem julgamento, cada indivíduo se expressa como quer, ao seu modo, e quanto mais diferente, melhor. Tem-se uma sensação de liberdade muito grande ao andar nas ruas de Berlim. Parece que a mentalidade pós-guerra – de mudança e quebra de regras e padrões, principalmente – ainda está muito viva no mind set das pessoas. E há espaço para todo mundo se manifestar criativamente, e uns encorajam aos outros.

Outro aspecto da sociedade importante pra entender melhor a cidade é explorar o restante da Alemanha pra ver que uma coisa é Berlim, outra coisa é Alemanha. E entender que Berlim é uma cidade com duas facetas: no inverno, nos deparamos com uma atmosfera mais densa, poucas pessoas na rua, o número de turistas diminui, quase sempre neva, e a cena transgessora, boêmia e punk ainda está lá, mas tímida. Quando esquenta, vê-se uma cidade completamente viva, alto astral, lotada de gente nas ruas, bairros descolados “acordam”, parques florescem e viram ponto de encontro, os famosos beer gartens lotam.

Longe, essa, de ser uma constatação óbvia porque em Berlim os contrastes são maiores. Existe Verão e Inverno em Nova Iorque, Paris, Barcelona, Milão, Tokyo: principalmente porque são capitais ultra turísticas no inverno. Mas nada se compara à mudança de comportamento que se percebe ao vivenciar Berlim nessas duas estações. É uma mudança de comportamento não somente no humor como na atitude das pessoas, que por sua vez reflete na maneira de se relacionar com a cidade.

É como se as pessoas se encondessem em suas casas no inverno: mesmo em época de Ano Novo, quando se espera, em capitais mundiais, um turismo exacerbado, em Berlim não é assim. Bairros mais descolados e com a cena criativa urbana e transgessora mais evidente, como Kreuzberg e Neukölln, parecem estar quase fechados no inverno, e encontra-se pouca coisa legal aberta. Mas no verão, com o entardecer depois das 21h, é um motivo a mais para se ver gente na rua o dia todo. E muito mais chances de encontrar uma inifidade de bares, cafés, casas noturnas, galerias e lojas descoladas e diferente de tudo que se vê no restante da Alemanha. A verdade é que dá pra se divertir muito em Berlim no frio, longe de mim desencorajar qualquer um a ter essa experiência – há uma beleza sombria debaixo da neve berlinense! -, mas a verdade é que nada se compara aos dias alegres e ensolarados do seu Verão.

Antes de visitar:

Como circular: as linhas de trem subterrâneas são ótimas pois transportam pra toda a cidade; locomover-se em Berlim é fácil. É necessário comprar o ticket – seja diário, semanal, mensal – mas nunca esqueça de validar numa das maquininhas que se vê proxima à plataforma de embarque. Não se engane ao ver berlinenses entrando no trem sem carimbar o bilhete; muitos não pagam, mas a qualquer momento o controle policial entra nos vagões e sai checando um por um. Se for pêgo sem bilhete, a multa é bem cara e não valerá a pena passar vergonha;

Custo de vida: quase tudo em Berlin é barato. Come-se e bebe-se bem, com pouco (lógico, depende do quanto exigente você é com a comida, principalmente). Mas se quer uma viagem mais low cost, vai encontrar boas cervejas e muito baratas. E sempre tem aquele salsichão típico “curry worst” pra matar a fome. A cidade não tem um espírito consumista, então vá com a intenção de absorver essa cultura fascinante e muito menos com espírito de gastar;

Reveillon: se decidir passar o Reveillon, esqueça de qualquer “programa de índio” que inclua ver fogos na turística Bradenburg. É programa mico! Pergunte a um conhecido ou amigo local qual é o bar ou restaurante mais típico que ele conhece e onde ele mesmo iria para um jantar, por exemplo. As chances de você conhecer gente muito legal nesses lugares “ordinaries” são grandes e as pessoas mais bacanas estão ou amontoadas nesses locais mais rústicos e fora da rota turística, ou em suas próprias casas. Fique com a primeira opção se você é novo na cidade, trust me, vai se divertir muito;

Restaurantes: não se engane achando que no Verão, o fato da cidade estar tão viva e acordada, você vai encontrar bons retaurantes para comer tão tarde quanto se encontra um bar para beber. Pra comer bem à noite, recomenda-se chegar no máximo às 21h. Passou disso, somente com reserva. E mesmo assim, o gerente vai lhe pedir, mesmo que super educadamente, para escolher o pedido em pouco tempo pois a cozinha dos estabelecimentos fecha cedo. Enquanto, beber, você pode fazê-lo até altas da madrugada;

Dica para o inverno: no frio, não se vê uma alma viva nos parques da cidade. É realmente meio deprê circular por eles. Os mercados de pulga não acontecem, nem os food trucks e tampouco as performances musicais. Procure passeios alternativos a esses, principalmente os indoor.