Holanda

Maastricht : a linda e primeira cidade construída na Holanda

Toda cidade europeia, por menor que seja e que abriga uma grande e reconhecida universidade, tem um ritmo de vida diferente e uma dinâmica viva dentro do seu espaço que a mantém atrativa, mesmo com uma população habitante majoritariamente mais idosa. Maastricht é assim. Localizada no extremo sudeste da Holanda, entre a Bélgica e a Alemanha, é a cidade mais antiga do país, fundada por romanos.

Da primeira vez em que estive lá, mal sabia pronunciar seu nome e não tinha muita ideia do que esperar, além do fato de ser medieval e por isso só já me atraiu. E foi meio que por acaso, numa rota de trem para percorrer o sul do país, e fugir do Carnaval brasileiro, que decidimos dormir alguns dias lá. Uma conhecida havia, tempos atrás, comentado que morou lá jovem, antes de se casar com um holandês. Não sei porque fiquei com essa pequena cidade na cabeça. E lá fomos. No trajeto partindo de Amsterdam, fomos pegos de surpresa por um ritmo carnavelesco presente nas cidadezinhas pelas quais passamos. Chegando em Maastricht, direto para o Hotel des Charms (que belo hotel!), deixamos nossas coisas e fomos a pé para o Centro, que de tão perto é quase como ir até a esquina. A população inteirinha estava completamente fantasiada. Era como chegar a um baile de Carnaval, em que todos se fantasiam dos costumes mais criativos e diversos, e somente eu e meu marido vestidos habitualmente: com casacos pesados tamanho o inverno rigoroso da Holanda. Se a gente acha que há criatividade no Carnaval brasileiro, espere para conhecer o de Maastricht: uma família vestida de árvore de Natal, já dá pra se imaginar bem?!

Tudo era pitoresco: das ruazinhas estreitas de paralelepípedo à praça principal de árvores de natureza “morta”, até o trajeto que divide a cidade ao meio cortada pelo rio Mosa (Maas). Tudo lá é lindo, charmoso, preservado. Caminhar à noite é um convite à beleza da solidão. Vê-se um espírito jovem permeando o ritmo da cidade, principalmente devido à Universidade de Maastricht, a faculdade mais internacional da Holanda e referência em cursos como Negócios e Economia, Ciências e Letras, Psicologia e Neurociência.

Não à toa vê-se academias de ginástica cheias de jovens de diversos cantos do país e do mundo, restaurantes de rodízio japonês descoladinhos, casais e amigos passando a pé ou de bicicleta ao redor do rio Mosa, ou amontoando-se na praça central chamada Vrijthof, onde ficam também as famosas Basílica Sint Servaas (considerada a igreja mais antiga da Holanda ainda existente) e a igreja Sint-Janskerk (com sua linda torre vermelha inconfundível). O centro da cidade é um achado também no quesito compras: boutiques de grifes nacionais ou internacionais, tudo de muito bom gosto, que dizem muito sobre a elegância natural do morador de Maastricht.

Os três melhores hoteis de Maastricht

Apesar de pequena, Maastricht tem boa oferta e bem interessante de hoteis. Principalmente os de conceito boutique: menos quartos, atendimento muito próximo ao cliente, serviços despretensiosos mas muito cuidados. Acho que há muito charme nesses pequenos hoteis-boutique, alguns inclusive caracterizados como Bed&Breakfast. Listei as opções onde já me hospedei e das quais posso garantir valerem muito a pena.

Bouteaque Hotel: são apenas 05 quartos, pessoalmente cuidados pelo casal de donos como se fossem hóspedes de sua própria casa. Os quartos são decorados com acessórios que os proprietários colecionaram em viagens ao redor do mundo; é um quarto elegante, moderno, confortável - até demais para os dias de inverno quando precisamos de uma boa desculpa pra sair do aconchego. O ponto alto: um dos donos, todas as manhãs, deixa em sua porta uma pequena mala de viajante contendo o café da manhã preparado com carinho para os hóspedes. Quando abri a porta, não acreditei que aquela mala fofa trazia nossa refeição com pães, ovos, suco, iogurte… de uma delicadeza enorme (a partir R$ 530).

Hotel Les Charmes: hotel pequeno de cidade. O próprio nome já diz: hotel de charme. Poucos quartos, dois andares, recepção calorosa: cuja proprietária lhe pergunta o que você gosta para o café da manhã, para comprar tudo a seu gosto! E do nosso quarto, de teto baixo, vista para a calmaria da cidade que de manhãzinha trazia um certo aconchego para aquele inverno rigoroso. É romântico, quase caseiro, elegante com simplicidade na medida (a partir de R$ 400).

Kruisherenhotel Maastricht: aqui o mais atraente é poder se hospedar num hotel cuja construção abrigava antigamente um Monastério Gótico do século XV e ainda preserva sua arquitetura de origem. Já é um conceito diferente dos dois hoteis anteriores – 60 quartos, mais imponente, mais caro e mais luxuoso. Mas belíssimo, vale a experiência (a partir de R$ 895).