Holanda

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Amsterdam

O holandês e sua bicicleta

Depois de um certo tempo visitando constantemente a Holanda, em especial, Amsterdam, nota-se que o principal meio de transporte da população, na cidade, é muito mais que um meio de locomoção. É um estilo de vida. É parte do que significa ser holandês. Diz muito sobre como o holandês enxerga a vida e gosta de viver. Em outras palavras: livre e da forma mais prática possível. Holandeses são pessoas práticas. Não tem frescura. Sabem dizer não. Não enrolam pra chegar ao ponto do assunto. E também gostam de viver bem, preservam a qualidade de vida e a praticidade como aspectos naturais de ser. A bicicleta diz muito sobre isso. Ir ao trabalho, ao parque, ao restaurante, levar os filhos na escola, fazer compras no mercado, ir à balada, visitar o amigo, entregar delivery. Qualquer trajeto é possível de ser feito de bike. Há quem diga que muitas holandesas vão de bicicleta à maternidade pra virarem mamães! Tudo tem a ver com o espírito de liberdade com o qual eles buscam levar a vida e, não menos importante, as condições geográficas e urbanas que não apenas permitem a facil locomoção, como também de certa forma obrigam o holandês adotar meios alternativos ao carro.

Abro parênteses para a invasão de motos de pequeno porte – tipo scooters – que nos últimos 03 anos tomaram conta da cidade. Seria genial – e essencial - haver uma lei que determinasse menor limite de velocidade para essas motos ou proibissem-nas de usar a mesma ciclofaixa das bikes (quem sabe surja um representante politico determinado para olhar à causa; é fato que grande parte ultrapassa o bom senso ao dividir a mesma faixa com o ciclista). Ainda assim o número de bicicletas por cidadão é muito maior: cerca de 18 milhões de bicicletas, para 17 milhões de habitantes, que podem usufruir dos 35 mil quilômetros de ciclovia no país.

Desde cedo as crianças aprendem a se virar de bike, são criadas de forma mais independente. Desde cedo tomam frio no rosto – daqueles congelantes e inimagináveis para um turista de país tropical – quando sentadas no carrinho da frente sendo transportadas pelos pais. Certamente para acostumar às baixas temperturas que permanecem quase o ano todo… Para o holandês, andar de bicicleta é um meio de transporte fundamental e ponto. Não é passeio nem passatempo, por isso o ritmo muitas vezes é frenético: holandês que é holandês anda rápido, não gosta de esperar atrás de quem pedala mais lentamente, mas sabe ultrapassar com educação. E tolera – e muito – os desavisados ou perdidos na multidão de duas rodas. Sabem, como nenhum outro, manusear, tudo de uma vez: a bike, o guarda-chuva, o celular, a bolsa, a sacola do mercado, o ramo de flores. Habilidades impressionantes. Há bicicletas para todos os gostos e idades. E ainda quem se dá ao luxo de guardar a mais elegante e performática em casa para usar aos finais de semana e largar a mais usada na rua. Não só um modo de treinar o desapego – muito frio, vento, chuva - até porque assaltos existem, mesmo nesse país de primeiríssimo mundo.

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